Obras de Liuba são reapresentadas 50 anos depois | Portal Alice Glitz

Obras de Liuba são reapresentadas 50 anos depois

liuba-1 Em 1965, a artista búlgara naturalizada brasileira Liuba Wolf (1923 – 2005) realizou uma importante exposição no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, como parte das comemorações do quarto centenário da cidade. Na mostra, a artista apresentou 23 esculturas em bronze, que representavam animais. Agora, cinquenta e um anos depois da primeira exibição, 14 dessas obras estarão reunidas novamente e serão reapresentadas pela primeira vez ao público a partir do dia 19 de novembro, na Galeria Marcelo Guarnieri, em Ipanema. A exposição será acompanhada de um texto da curadora, crítica e historiadora da arte Maria Alice Milliet, feito especialmente para esta mostra.

A exposição no MAM Rio foi de extrema importância. Realizada em um momento de grande visibilidade, em que era inaugurado o Parque do Flamengo. “A obra de Liuba teve no Rio a oportunidade de integrar, ainda que momentaneamente, um dos mais ousados projetos urbanísticos do pós-guerra. Ali, a artista pôde dar sua contribuição, ali se sentiu em casa”, escreveu Maria Alice Milliet. Naquele momento, a obra de Liuba também passava a ganhar mais reconhecimento internacional, com importantes mostras no Brasil e no exterior. Ao longo de sua trajetória, a artista participou de quatro Bienais Internacionais de São Paulo (1963, 1965, 1967 e 1973) e realizou uma grande exposição individual no Hakone Open Air Museum, no Japão, em 1985. Suas obras hoje estão em importantes coleções privadas no Brasil, Argentina, Canadá, Inglaterra, França, Alemanha, Japão, Suíça e Estados Unidos.

Outro fato importante é que o conjunto de esculturas apresentado na exposição do MAM Rio marcava uma mudança na obra da artista, que naquele momento deixava a figuração para explorar uma “quase abstração”, tendo a figura do animal como forte referência. “Para mim, eles são animais. Mas eu não posso explicar de onde eles vêm, deve ser do meu subconsciente. Suas formas, mesmo que reconhecíveis, são de fato uma simbiose entre vegetal e animal”, disse a artista a Sam Hunter para o livro Liuba: At the Edge of Abstraction. Na Galeria Marcelo Guarnieri, as obras serão apresentadas da mesma forma como foram expostas originalmente: dispostas em bases e muros baixos formados por blocos de cimento.

liuba-3Entre 1950 e 1960, Liuba viveu entre o Brasil, onde mais tarde se naturalizou, e a capital francesa. Esse período foi muito importante para a afirmação de seu trabalho e também pelos contatos que manteve com os artistas Marino Marini, Martyn Poliakoff, entre outros. “Sua plástica, ancorada na tradição da escultura moderna na linha de Brancusi e Giacometti, se alimenta, simultaneamente, da simplificação formal introduzida pelo cubismo e da arte de culturas exóticas. Como se sabe, essas duas vertentes estiveram associadas às vanguardas artísticas que no início do século romperam com as convenções da academia. A produção escultórica de Liuba bebeu nessas fontes, chegando à maturidade durante o alto modernismo, período em que a estética moderna ganhou alcance internacional”, afirma Maria Alice Milliet.

SOBRE A ARTISTA

Nascida em 1923 na Bulgária, Liuba ingressa em 1943 na Escola de Belas Artes de Genebra, Suíça. De 1944 a 1949 estuda com a escultura francesa Germaine Richier, a princípio na Suíça e em seguida em Paris, onde passa a viver e trabalhar em 1946. Em 1949, ainda vivendo em Paris, monta ateliê também em São Paulo. Casa-se com Ernesto Wolf em 1958 no Brasil, e passa a dividir seu tempo entre os ateliers de São Paulo e Paris. A partir de 1989 estabelece atelier também na Suíça. Falece em São Paulo em 2005.

SOBRE A GALERIA 

Marcelo Guarnieri iniciou as atividades como galerista nos anos 1980, em Ribeirão Preto, e se tornou uma importante referência para as artes visuais na cidade, exibindo artistas como Amilcar de Castro, Carmela Gross, Iberê Camargo, Lívio Abramo, Marcello Grassmann, Piza, Tomie Ohtake, Volpi e diversos outros.

Atualmente com três espaços expositivos – São Paulo, Rio de Janeiro e Ribeirão Preto – a galeria permanece focada em um diálogo contínuo entre a arte moderna e contemporânea, exibindo e representando artistas de diferentes gerações e contextos – nacionais e internacionais, estabelecidos e emergentes – que trabalham com diversos meios e pesquisas.

Serviço: Liuba

Abertura: 19 de novembro de 2016, das 14h às 17h

Exposição: até 21 de janeiro de 2017

Galeria Marcelo Guarnieri, Rio de Janeiro

Rua Teixeira de Melo, 31 – lojas C/D

Rio de Janeiro – RJ – Brasil

CEP 22410 010

Telefone: (21) 2523.6157

De segunda a sexta, das 11h às 18h

Sábado, das 11h às 15h

Entrada franca

www.galeriamarceloguarnieri.com.br

Créditos: Beatriz Caillaux / Divulgação

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